sobre nós o que é igreja emergente?

Ainda sobre ir ou não à Igreja

Terminei há mais ou menos um mês a leitura do livro Por Que Você Não Quer Mais Ir À Igreja? publicado pela Sextante. Trata-se de uma obra de ficção bem escrita cujo propósito é chamar os cristãos à reflexão do significado de ser igreja em vez de apenas serem frequentadores de cultos e reuniões em locais conhecidos como igreja.

Isso é bom, apesar de não ser nada novo. Juan Carlos Ortiz fez um trabalho fantástico em O Discípulo, publicado pela Betânia logo no início da década de 1980. Uma das colocações hilárias que Ortiz fez naquele livro – e que eu me lembro até hoje mais de duas décadas depois de ter lido – foi sua denúncia de que os cristãos iam a igreja para encontrar Deus lá. Ortiz dizia que isso parecia indicar algo como se Deus ficasse pendurado no teto durante a semana inteira esperando os crentes se reunirem para Ele poder ser sentido por eles. Todavia, como dizia Ortiz, se você não trouxer Deus consigo quando se reunir como igreja, não haverá presença de Deus alguma no encontro/culto/reunião.

Um dos versos mais conhecidos do livro de Atos deixa claro que, sob a unção do Espírito Santo, os discípulos passam a ser testemunhas de Jesus onde quer que vão, partindo do local onde esta unção foi derramada até os lugares mais distantes da terra. A questão, no entanto, não me parece ser somente sobre o SER igreja, mas sobre a possibilidade de SER enquanto você se reúne sob estruturas maiores e institucionais. Novamente, uma questão amplamente debatida, porém que não faz muito sentido para quem aprender a ser onde quer que for/estiver. Quem é, pode ser no pequeno grupo de dois ou três ou na grande congregação de milhares. Pode ser na informalidade das pequenas reuniões tanto quanto no meio das concentrações maiores. Afinal de contas, a visão da Igreja em Apocalipse não é de pequenos grupos, mas de uma multidão incontável adorando a Jesus.

Como eu já escrevi aqui, acredito que o SER e o IR (do reunIR-se) são inseparáveis. E os autores do livro deixam isso claro também. O que eles dizem é que IR é consequência do SER (e não o contrário, você não É apenas por IR).

De qualquer maneira, o livro apresenta boas reflexões que valem a pena sempre serem feitas sobre este assunto, uma vez que é tão fácil deixar de ser e confundir o frequentar/assistir com o viver. Aliás, a reunião comunitária nunca deveria ser uma mera assistência, mas uma participação ativa. A história é testemunha de que a maior desgraça do Cristianismo é a dicotomia entre a adoração comunitária dominical e a vivência da fé fora dos contornos eclesiásticos nos demais dias da semana.

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“Nenhum modelo de igreja irá produzir a vida de Deus em vocês. A coisa funciona exatamente ao contrário. Nossa vida em Deus, compartilhada, é que se expressa como Igreja. A Igreja nada mais é do que o fluxo da vida Dele transbordando em nós. Vocês podem ficar eternamente às voltas com os princípios da igreja e ainda assim nunca chegar a saber o que significa viver em profundidade no amor do Pai para poder partilhá-lo com o próximo.”

Conheça o original aqui.

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