Continuamente leio textos em blogs que revelam desequilíbrio na visão da Igreja em particular e da jornada cristã em geral. Por exemplo, ou encontro um chamado à santidade (sede perfeitos como vosso Pai celestial) cercado de legalismos, ou então percebo quase que um desprezo total por qualquer conceito de santidade e busca de perfeição cristã (vale lembrar que outra palavra para perfeição é maturidade). Parece que a velha modinha de Dorival Caymmi virou hit no cristianismo pós-moderno: “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim…”).
Creio que isso seja reflexo de pelo menos duas coisas: 1) imaturidade – a net está cheia de palpiteiros espirituais/teológicos que conhecem pouco das Escrituras e quase nada da história da Igreja e da Teologia Cristã, e 2) uma tremenda dificuldade de entender e abraçar os paradoxos da vida cristã.
Na questão dos paradoxos, Henri Nouwen foi alguém que enxergou e abraçou-os de uma forma impressionante e enriquecedora. O texto abaixo apresenta muito bem um desses paradoxos em relação a Igreja.
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A Igreja é santa e pecadora, imaculada e maculada. Ela é a noiva de Cristo que se lavou em água pura e foi até Ele “esplêndida, sem mancha nem ruga, nem defeito algum; quis a sua Igreja irrepreensível” (Ef 5.26-27). A Igreja também é um grupo de pessoas pecadoras, confusas, angustiadas, constantemente tentadas pelos poderes da luxúria e cobiça e sempre envolvidas em rivalidade e competição.
Quando dizemos que a Igreja é um corpo, não só nos referimos ao corpo santo e irrepreensível feito à semelhança de Cristo pelo batismo e pela eucaristia, mas também aos corpos rompidos de todos os seus membros. Apenas quando mativermos essas duas maneiras de pensar e falar juntas, poderemos viver na Igreja como verdadeiros seguidores de Jesus.
- Henri Nouwen, Pão para o Caminho.
Conheça o original aqui.
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