A história da adolescente Bella apaixonada por um vampiro bonzinho e cujo melhor amigo é um lobisomem, virou febre mundial. De Seattle a São Paulo, de Tokyo a Sidney, em todo o mundo, pré-adolescentes e adolescentes (principalmente do sexo feminino) estão caindo de cabeça na série de livros e filmes Crepúsculo. Em meio a febre, muitos pais cristãos ficam preocupados com o que seus filhos estão lendo e assistindo. Melissa Metler, missionária do Steiger na Alemanha, escreveu um artigo com algumas perguntas interessantes sobre este assunto que desejo compartilhar e comentar abaixo.
Estamos preocupados por causa da “febre” em si?
Essa febre mundial entre crianças e adolescentes sobre um livro/filme não é nova. Há poucos anos era Harry Potter. Depois High School Musical. Agora é a vez de Crepúsculo. Beatles, Bee Gees, New Kids on the Block, Backstreet Boys, Jonas Brothers, de tempos em tempos aparece uma banda ou grupo que cativa o coração de jovens e adolescentes. “Na comunidade global, os modismos chegam mais rapidamente e com maior impacto do que era comum no mundo baseado puramente na escrita,” aponta Melissa.
Estamos perturbados por causa da obsessão que os livros parecem produzir em seus leitores?
Livros como os da série Crepúsculo são escritos de forma a cativar o leitor, por meio de uma trama, de um suspense, que faz com alguém não desgrude até chegar ao fim da história. E, como um passeio por um parque de diversões da Universal Studios ou da Disney, muitas vezes, ao se chegar ao fim, sente-se o desejo de começar tudo de novo. Mas sempre que houver um interesse obssessivo pela história, levando o leitor a misturar a ficção com a realidade, então pode ser necessário haver algum tipo de intervenção por parte dos pais.
Estamos incomodados por causa dos personagens da história?
Histórias com vampiros e lobisomens podem incomodar certos pais (principalmente cristãos). Posso até imaginar alguns dizendo: “Isso é coisa do diabo!”, “Tá amarrado!” ou qualquer outro jargão do gênero. Devemos nos lembrar que o livro é uma ficção escrito por alguém com o que me parece alguns valores judaico-cristão. Por isso, apesar de ser uma história de vampiros e lobisomens, Crepúsculo retrata uma família de vampiros bons que resistem a tentação de matar seres humanos e têm uma “dieta vegetariana” se alimentando apenas de animais, enquanto há outros vampiros maus que se entregam ao desejo pelo sangue humano e matam todos os que cruzam seu caminho. Na verdade, Crepúsculo é muito mais do que uma história de vampiros e lobisomens, é uma história sobre relacionamentos, escolhas e consequências.
Estamos incomodados por causa da temática da história?
Na trama de Crepúsculo, a adolescente Bella se apaixona pelo vampiro bonzinho Edward e inicia um relacionamento perigoso com ele e sua família de vampiros. Bella deseja uma relação sexual com Edward, mas ele resiste por acreditar que sexo deve ser reservado para o casamento. Isso é bem diferente de quase tudo o que os jovens e adolescentes estão ouvindo hoje em dia. Na realidade, Crepúsculo abre portas para bons diálogos sobre diversas questões enfrentadas pelos adolescentes nos dias de hoje. A escritora Beth Felker Jones escreveu o livro Touched by a Vampire na tentativa de guiar os pais neste diálogo. Ou seja, a mesma temática que incomoda pode servir de ponte para discussões profundas sobre amor, romance, relacionamentos, sexo, família, imortalidade, etc., usando como pano de fundo a série Crepúsculo.
Como pais de uma pré-adolescente, minha esposa e eu assistimos o primeiro filme com nossa filha (e minha esposa assistiu o segundo com ela, enquanto eu apenas li o segundo livro). Nossa visão é que, melhor do que demonizar uma série, parece mais produtivo caminhar junto com nossos filhos e usar de séries de livros e filmes para discutirmos juntos assuntos relevantes sobre nossa fé em particular e a vida de um modo geral.
Conheça o original aqui.
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